quarta-feira, 30 de julho de 2014

Escritos acerca da religiosidade (parte 1)


Eu não me entendo, e como poderia? Não sou mais que uma ínfima existência em meio a um mar de estrelas, antigas e novas, e que ainda estão por nascer. Em meio a tudo isso, sou obrigado a fazer certas escolhas no decorrer da minha curta vida. Em alguns casos, essas escolhas não dependem somente de mim, mas também de uma série de eventuais detalhes. Quem nunca precisou fazer algo que não queria? Esse não querer pode ter origem na hierarquia familiar, como o pai e a mãe que mandam o filho fazer as coisas que eles julgam melhores. Ou pode também ter origem no convívio social em que o indivíduo está inserido e fadado a manter, como por exemplo, no trabalho. E veja que chato, nesse caso também a hierarquia entra em ação, com o seu chefe.
Mas voltando ao foco do texto, estou tratando aqui na realidade de algo muito maior do que o simples ato de obedecer ao chefe, o pai ou a mãe. Estou tratando aqui absolutamente do “religare”, isto é, do nosso lado religioso. Mas tenha calma, pois não estou tratando aqui da religião no sentido que estamos acostumados a conhecer, a religião como instituição.
A religiosidade vai muito além da religião. A religião é algo que o homem cria na intenção de fazer certo contato com o divino, ou em outras palavras, a religião é uma ferramenta, esboçada conforme a cultura de determinados povos, no intuito de tentar alcançar seres exteriores e superiores a nós. Na pré-história e na antiguidade, a religião servia como um tipo de explicação para fenômenos naturais que estavam além da compreensão do homem. Atrevo-me a dizer que a religião, até certo ponto, servia como uma ciência para as civilizações. Prova disso é o fato de inúmeras ciências terem tido suas raízes em costumes e ritos religiosos. A Alquimia, por exemplo, que mais tarde deu origem à Química.
Depois disso, a religião tomou outro formato, tendo suas raízes em escrituras e transferindo, muitas vezes, uma parte do poder de suas entidades divinas ao próprio homem. Que é o caso dos profetas e dos santos, por exemplo. Desde então, a religião pode ser utilizada também como uma ferramenta não só para explicar os fenômenos da natureza, mas também (e principalmente) para manipular grandes massas. A palavra “manipular” pode parecer um pouco indigesta para alguns leitores, mas na realidade, não estou querendo atribuir um caráter absolutamente ruim às religiões, apenas estou pontuando a minha visão no que se refere ao andamento histórico delas. Mas vou deixar para falar sobre as religiões em si em outra oportunidade.
Estou escrevendo esse texto justamente pela falta, pela lacuna, pelo espaço que eu sinto ecoando no SER quando falo desse assunto: religião. Pessoalmente, eu cultuo muitas entidades, deuses e deidades. Acredito e confio em muitos ritos de muitas religiões diferentes. Tenho minhas preferências e minhas ressalvas em todas elas. Mas mesmo assim, o que está faltando? Por que nunca é suficiente?
Devo esclarecer aqui, que a partir deste ponto, estarei tratando de algo que não se pode encontrar em qualquer mundo espiritual que possa ou não existir. Algo que não diz respeito às religiões institucionalizadas ou mesmo com qualquer deus ou deusa que já ouvimos falar. Vou tratar aqui da religiosidade no sentindo de “re-ligação”, isto é, a “re-ligação” com nós mesmo, com o EU.

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